domingo, 17 de julho de 2011

Voltando à vaca fria... Ou "a pressão era muito grande"

Voltei há 10 anos e um mês atrás e vou contar a história porque recordo todos os pormenores.

A professora de Português, uma prima da Lili Caneças, não simpatizava comigo porque eu era gótica. Apesar de ter nota para 18, fez-me ir a exame com 17 afirmando que o meu português era prosaico (nunca esqueci esta palavra bem como o momento humilhante perante o resto da turma).

O exame foi após um fim-de-semana grande. Os meus pais decidiram ir para o Algarve e eu fui também. Lá estava também a minha prima que estava igualmente no 12º ano. Lembro-me de termos ido todos para uma ribeira maravilhosa. Toda a família animada lanchava e molhava os pés enquanto eu estive sempre sentada na minha toalha a estudar, munida de uma série de apontamentos e livros. O tempo bom que se fazia sentir e a paisagem que me rodeavam fizeram com que conseguisse uma concentração ainda maior.

Dia do exame. Os nervos não eram muitos. Sentia-me preparada. Faziamos provas globais a todas as disciplinas no 9º, 10º e 11º. Sabiamos como era. A pressão era maior, mas sabiamos o que nos esperava. Calhei na maior sala da escola, 2ª ou 3ª carteira em frente à da professora. Entrega dos exames. Começo por fazer o que fazia sempre, ver primeiro todo o exame. Deparo-me com um texto que não tinhamos dado para analisar. Volto ao início. Tinhamos o exame A e não o B. Ainda ninguém tinha dado conta e alerto a professora. Perdemos cerca de 5 a 10 minutos. Se existe pressão adicional, de certeza que é em situações como esta. Finalmente o exame B aparece. Felizmente há luar (ninguém esperava que aparecesse para comentar), Aparição para fazer a composição e o resumo. Gostava apenas de dizer que tive tempo para fazer duas composições, tinhamos de eleger uma figura feminina do livro e falar sobre ela, comentando a importância na história. Primeiro escolhi Ana. Depois reli e pensei que era capaz de fazer melhor, porque Sofia era a grande mulher da obra, era paixão, era com ela que mais me identificava. E assim foi. Entreguei o exame.

Esperei pela nota e sorri. O meu português prosaico ficou entre as 3 melhores notas da escola. Se existem pessoas que precisam de ler para viver, eu sou uma delas e a este meu saudável vício devo a minha nota.

7 comentários:

Joana disse...

Também tive uma professora de português, no 11º, que me "cortou as pernas".
O que mais me dava gosto nos testes de português era escrever, mas não de uma forma demasiado objectiva...eu gosto de utilizar recursos de estilo, gosto de ir para além da escrita normal...a minha professora de 10º ficava abismada com os meus textos e por vezes lia-os à turma.
Até que, no 11º, na entrega dos testes após terem sido corrigidos, a composição estava toda cortada, e a nota do teste era aquém do que era normal. Diz-me a professora, "Não gosto de textos assim."

Bomboca do Amor disse...

Só me resta desejar-te os parabéns, apesar da péssima professora que tiveste conseguiste superar os objectivos!
Beijinhos querida,
Bomboca do Amor.

Nokas disse...

Isso é fantástico, tás de parabéns :)

izzie disse...

Aconteceu-me o mesmo há 8 anos.
Tinha média de 17 para ir a exame, era e minha especifica de 1ª escolha e ela levou-me a exame com 16 porque "o meu português era demasiado objectivo, demasiado estruturado e sem "floreados". - ou seja eu não era rica e filha de Srs. Doutores como a aluna preferida dela e tenho uma deficiência física que sempre a fez olhar para mim como se eu não fosse conseguir nada na vida.

Fui a exame, tirei 18, tive a melhor dissertação a nível nacional (sim, está escrito na correcção do meu exame) e ainda tive direito a uma pedido de desculpas da dita professora, de rabinho entre as pernas.

Ao que respondi: Deixe lá, agora já não preciso de si.

Consegui entrar no curso que queria, acabar bem posicionada, mal ou bem vou trabalhando na minha área, mas nunca me esqueço que há pessoas a quem não devia ser permitido ensinar, exactamente durante os anos de formação da personalidade de um adolescente.

Beijinho,

Rita Super-Mulher disse...

São desculpas de mau pagador. também culparam os professores que não tiveram tempo para dar todas as matérias. Que graça. Se a situação fosse a inversa, os professores eram os melhores e os alunos uns prodigios, sendo o sucedido, os meninos não estudaram e tiveram todos más notas. Não coitadinhos, o mal não está nesta geração preguiçosa e que toma tudo como garantido, está nos professores. Enfim...

trintona disse...

Isso é que foi uma grande chapada na cara que deste à professora!
Eu quando fui a exame, lembro-me que estava tão nervosa, tão nervosa que infelizmente não tirei uma nota espetacular, um pequeno 12. Para quem estava com média de 16, vim logo por aí abaixo!

Roxanne disse...

e devias ter ido mostrar o exame à tua professora...