Mostrar mensagens com a etiqueta Bocadinhos secretos de mim. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Bocadinhos secretos de mim. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Dicotomia*

Eu podia ser estas duas músicas. Posso. Sou.

Esta sou eu a maioria do tempo:


E esta representa aquilo que de mais profundo há em mim, aquilo que me traz a ansiedade:


*grego dikhotomía, divisão em dois...

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Infinite Sadness...

Sempre fui assim e não consigo mudar. Quando estou triste só consigo ouvir música ainda mais triste... E pronto, como hoje é dia não estou a ouvri os meus companheiros destes momentos: HIM.

Como nem tudo é mau, deixo-vos umas fotografias do meu ídolo de adolescência (dos meus tempos dark), Ville Valo.






segunda-feira, 3 de junho de 2013

Little (big) things...

Quem sofre de ansiedade e ataques de pânico vai compreender melhor o que vou escrever a seguir, ainda assim, não posso deixar de partilhar estas pequenas vitórias que tenho conseguido.

Depois do meu último grande ataque de pânico que aqui relatei, há cerca de 15 dias, tive inúmeras "provas" difíceis que fui conseguindo ultrapassar. Podem parecer banalidades, mas são conquistas pessoais...

- Consegui dormir sozinha num hotel a 300 km de casa sem ter que recorrer ao meu comprimido SOS, estava apenas com os colegas da empresa que desconhecem o meu problema.

- Num regresso a Lisboa perto da 1 hora da manhã vinda de uma reunião no Porto, a colega com quem fomos levou-nos até à empresa onde estavam os nossos carros e eu não tive medo, nem sequer pensei no assunto durante a viagem até Lisboa. Em tempos idos teria sido um factor de grande ansiedade. Voltei para casa calma e sem qualquer alteração.

- (e agora a coisa que provavelmente é mais parva...) Ontem consegui beber dois cafés e "ficar normal". Já não bebia dois cafés há ANOS...

Com tudo isto, só vos posso desejar uma semana em grande!





domingo, 19 de maio de 2013

Summer days...

Ontem adormeci com um sorriso na cara. Todas as recordações remontam a tempos em que tinha menos de 5 anos. É maravilhoso conseguir lembrar-me de tantos bocadinhos com clareza... É por isso que a praia terá sempre um fascínio especial!

Recordo os momentos de campismo. A tenda laranja com desenhos. Era grande e tinha a cozinha em anexo. Tinha uma "sala" onde via o avô jogar às cartas com o meu tio à noite, à luz do candeeiro a petróleo. No avançado aprendi sinais de trânsito com uma vizinha que estava a estudar o código. Os gelados que o avô nos comprava no passeio rodeado de arbustos. Os insectos que proliferava neste caminho. A carrinha-montra que vendia todo o tipo de bugigangas úteis aos campistas. O comboio. A casa verde com o leme. Os balneários. A lavagem da loiça. As brincadeiras doces com os avós. A comida saborosa da avó. O sítio de passar a ferro, onde raramente íamos e onde fui atropelada por um rapaz de bicicleta. 

Não sei se são saudades. São memórias de momentos extremamente felizes que vivi. A vida privou-me, por razões que desconheço e não compreendo mas aceito, dos meus avós há mais de 15 anos. Mas eles vivem em mim, todos os dias. 

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Adormecer

Durante muito tempo gostava de adormecer antes dele. Sentia que ficava sozinha quando ele adormecia e eu continuava sem sono. Agora, vejo-o tão cansado e a precisar tanto de momentos de paz, que prefiro esperar até que ele adormeça, certificar-me que está a dormir tranquilo e só depois deixar-me cair no embalo do sono.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

CONSEGUI! (Acreditar SEMPRE...)

Estes dias difíceis dos últimos tempos deveram-se a um processo de recrutamento em que estive envolvida e que podia mudar a minha vida completamente. A verdade é que há alguns meses andava a tentar mudar de emprego. Algumas entrevistas, alguns empregos interessantes, desafios com potencial, chegadas à entrevista final mas com desfechos negativos. Comecei a achar que não ia conseguir mudar, era uma desilusão estar entre os finalistas e ouvir sempre um não. A minha satisfação com o que estava a fazer diminuía a cada dia e a angústia era grande, como era possível sentir-me assim no sítio que me fez tão feliz, que tanto me deu, onde me senti tão realizada? 




Mas desta vez foi diferente, foram cerca de 4 meses de luta. Foram 4 meses a acreditar que sim, que era para mim. Tenho que agradecer àqueles que estiveram sempre do meu lado e acreditaram no sucesso deste processo. E tenho que acrescentar que o reiki foi de extrema importância durante este tempo todo. 

Desta vez a resposta foi SIM! É todo um mundo novo que se abre para mim e eu não podia estar mais feliz!



E para todos vocês que estiveram sempre aí desse lado: 


sábado, 16 de fevereiro de 2013

Memórias de um Natal

Avô, onde quer que estejas, quero pedir-te desculpa. Esta neta que tem andado a pairar sobre este mundo ultimamente não foi a menina que amaste tanto e a quem deste tanto carinho. Sabes que o pai ainda não foi capaz de diminuir a falta que sinto do teu aconchego. Já passaram tantos anos e tudo o que sou continua a ser uma manifestação do que me ensinaste a ser. 

Sabes o que é pior do que não ter uma árvore de Natal, como aconteceu durante muitos anos? É ter uma que só tem significado para mim. 

A menina a quem a vida roubou prematuramente um amor maior vai continuar a lutar. Sempre. Para te honrar e para que sintas orgulho na pessoa em que me tornei. 

O tempo não me deixou concretizar o meu sonho de te ensinar a escrever, mas prometo que não vou desistir dos meus sonhos. Porque não sei se a vida me vai dar tempo para os realizar.

Paz, luz, amor.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Reiki #1

Atendendo a alguns pedidos, venho falar-vos sobre a minha experiência enquanto reikiana. Este e outros possíveis posts sobre o assunto não são, de modo algum, um apelo a que façam ou que se interessem por esta Filosofia.


O Reiki entrou na minha vida há alguns anos, estava ainda na faculdade. A minha grande amiga A. apresentou-me a este conceito e a filosofia de vida dela agradava-me (e continua a agradar) bastante. Foi ela que em muito contribuiu para a minha radical mudança de pessimista para alguém que acredita e tenta ver o copo meio-cheio. A verdade é que em 3 anos de trabalho em conjunto (fazíamos sempre grupo em todas as cadeiras) sempre conseguimos estar unidas e entre os melhores.
No Verão passado, numa conversa entre amigos, na qual estava a A. o Reiki veio à baila e eu achei que era o que estava a precisar. Quem já segue o blog há mais tempo sabe que eu não pratico nenhuma religião. Não sendo o Reiki nenhuma religião, está a ser um modo de atingir um determinado grau de espiritualidade que faltava na minha vida. O ter algo em que me apoiar nos momentos de maior angústia, o ter algo para agradecer nos bons momentos. E, na minha vida, existe algo que preciso de curar e que não estou a conseguir através dos medicamentos (curioso sendo eu farmacêutica...): os ataques de pânico.
Antes de começar a praticar Reiki, decidi fazer uma sessão com uma terapeuta no SPA onde vou frequentemente para ter um primeiro contacto. Foi uma experiência única, onde tudo o que senti e que me foi dito estava tão acertado que não tive qualquer dúvida sobre qual o caminho a seguir.
Foi então que fiz o nível 1 e comecei a ver as transformações em mim. E na minha irmã, pois estamos a fazer os níveis juntas. Neste nível aprendemos que tudo se baseia em energia e em amor, e é essa a verdadeira essência do Reiki. E tudo num ambiente de paz e serenidade, tudo aquilo que muitas vezes queremos: uma mente silenciosa, uma paz interior que nos deixe descansar e aproveitar os momentos. No Reiki 1 aprendemos que a energia permite a cura através da imposição das mãos em determinados locais do nosso corpo. Durante 1 mês fiz sempre a minha sessão diária de 1 hora onde fazia as 12 posições. Aquele momento do meu dia era simplesmente fabuloso e permitia-me limpar a mente de todas as preocupações. Eu diria que, até agora, foi o momento alto.
Por agora deixo-vos apenas com a definição de Reiki: rei (universal) + ki (energia). Portanto, será uma energia universal que não é "nossa", sendo nós apenas canais dessa energia.
Quanto ao segundo nível... fica para outro post que este já vai extenso. Quaisquer perguntas ou dúvidas podem colocar em comentários ou enviar email que terei todo o gosto em responder. 

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Adriana


A Adriana ainda não existe mas é muito amada. A Adriana é apenas um desejo muito grande, partilhado por várias pessoas. Pode nem ser uma ela e, provavelmente, terá o nome do pai. Ou um dos nomes que eu gosto e o pai detesta, mas que na altura escolheremos em conjunto.

A Adriana é a filha que desejamos ter há muitos anos. É a neta com que a avó F. sonha e fala sempre que vê determinados artigos para criança. A neta que o avô C. não revelava que queria conhecer, mas aos poucos foi transformando a vida para a receber... um dia. A única tia de sangue que vai ter (porque acredito que terá muitas tias do coração) não gosta do nome, mas será uma das pessoas que mais a estragará com mimos e a vai amar do modo mais ternurento que se possa imaginar.

A Adriana vai ser uma filha muito amada. Espero que um dia ela se torne uma realidade.

E aos 1000 seguidores achei que devia partilhar este "bocadinho secreto de mim" convosco.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Bocadinhos secretos de mim (parte não sei quantas)

Esta que vos escreve sonha com o dia do casamento, como já devem ter percebido. Mas a verdade é que nem sempre foi assim.


Antes de conhecer aquele a que chamo quase marido (porque apesar de vivermos juntos há mais de 3 anos, não somos casados), não pensava em casar. Aliás, pensava mesmo que ia ser mais feliz sozinha e dedicar-me em absoluto a uma carreira. Imaginava-me com uma criança, adoptada apenas por mim. Sim, parecem sonhos estranhos mas eram os que eu tinha. Simplesmente acreditava pouco nas relações amorosas mas queria ter a minha família (mesmo que fosse algo disfuncional).

Aos 17 anos conheci a pessoa que mudou por completo a minha visão da vida e do amor. E sim, se quero muito casar, foi porque ele me fez acreditar que é possível ser feliz ao lado de outra pessoa, que o amor verdadeiro e incondicional existe. Que podemos ter alguns momentos mais complicados, mas aqueles que sobressaem são os bons e os que fazem tudo valer a pena. 

Por isso continuo à espera, continuo a acreditar. Porque não se muda um plano de vida só porque sim. Tem que ter um fundamento...

Nota: sim, hoje estou novamente sem ele, depois de ter regressado de uma semana fora no outro lado do Atlântico, e estou lamechas...

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Secretly

Há uns quatro anos atrás, estava no pico dos meus ataques de pânico. Ainda andava a fazer exames para perceber se tinha algum problema cardíaco e muitas noites adormecia com medo de não acordar de manhã.

Foi também por essa altura, aquando no nosso sétimo aniversário de namoro, que sofri uma grande desilusão porque estava à espera de ser nesse ano que ia ser pedida em casamento.

Depois disto, todas as noites, depois de já estar deitada, tirava a aliança de namoro da mão direita e colocava-a na mão esquerda. Se não acordasse de manhã, pelo menos ele ficaria a saber que mesmo não estando no papel nem estando nenhum compromisso assumido formalmente, eu sentia que era a mulher dele.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Deep thoughts


Podia queixar-me da vida, mas face ao panorama que vejo em meu redor seria ingrato e injusto da minha parte fazê-lo.

As situações são apenas complicadas. A vida tirou-me pessoas importantes antes do tempo. Mas ensinou-me que depende de nós fazê-las viver para sempre. Uso o meu apelido com todo o orgulho, é o nome e a continuação do meu avô. Hei-de levá-lo sempre o mais alto que conseguir e sei o quanto ele está feliz por mim.

Foi preciso sair de casa para perceber que ele não foi perfeito (longe disso até), mas vou ser sempre a pequena princesa que ele tanto desejou ter. Hoje de manhã a mensagem matinal não chegou e ligou-me com voz preocupada a perguntar se estava bem. E eu fiquei sem forças. Porque estou tão em baixo e fragilizada que não contava com aquela atitude e palavras do meu pai. E recordei-me dos momentos muito longínquos em que ele me fazia sentir a menina mais amada do mundo. E pareceu-me o avô.

Já não foi a primeira vez que ouvi o avô a falar através da tua voz, pai. Se soubesses o quanto esses pequenos momentos aquecem o meu coração...

Nota: se não tomasse diariamente a minha medicação para a ansiedade/pânico, diria que estou a ficar deprimida... (Mas a medicação serve para os dois casos, por isso é só mesmo cansaço.)

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Saudade


Estava deitada a ler depois de um cansativo dia de regresso ao trabalho quando me veio à memória uma cidade que muito amo, Vila Real de Santo António. Com esta lembrança vieram as férias que passei lá, já vai para mais de 15 anos, com os meus pais e irmã. A verdade é que aqueles dias ali eram os melhores dias do ano. Eram aqueles em que tínhamos os nossos pais disponíveis só para nós. Fazíamos sempre coisas diferentes. Hoje, olhando para trás, vejo que estes foram dos momentos mais felizes da minha vida.

Depois, os meus tios começaram a juntar-se a nós. Embora na altura me tenha parecido muito mais divertido ter as primas por perto e fazer aquelas loucuras típicas de adolescentes, agora, à distância do tempo, da experiência acumulada de vida e de alguns acontecimentos, sinto que perdemos mais do que ganhámos.

Hoje, voltaria a ir para a mesma casa. Voltaria a dar os mesmos passeios nocturnos no jardim (agora marina). Voltaria a comer os meus bolos preferidos na Pastelaria do Marquês. Iríamos ver o pôr do sol no pontão. Correr para as dunas a tentar não chocar com os picos gigantes. Comíamos o frango que comprávamos acabado de fazer no bar da praia e que já nem sei se existe. Só nós os 4.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Notícias e pensamentos


A morte de Miguel Portas e a crónica de Miguel Esteves Cardoso são dois murros no estômago. Quem, como eu, já perdeu pessoas queridas para essa doença mesquinha, sente uma revolta enorme porque parece que a maldita escolhe as pessoas a dedo.

Mas diz que não é assim. Ele não escolhe a dedo. Toca a todos. Diz ela, a minha irmã. A pessoa que decidiu trabalhar todos os dias com o cancro. Ser técnica de Radioterapia. Quando oiço estas notícias, quando perco mais alguém, olho para ela e sinto que ela é um ser enorme, uma alma grandiosa. Eu não seria capaz. E é por isso que hoje, mais uma vez, lhe presto publicamente a minha homenagem e demonstro todo o meu orgulho. A minha irmã vive estas histórias todos os dias, em modo real.

A ela e a todos aqueles que o fazem como ela (médicos, técnicos, enfermeiros, auxiliares...), um muito obrigada.

sábado, 27 de agosto de 2011

Em dia de casamento, relembro uma das facadas...


Cartas de amor perfumadas. Escritas em papel texturado. A letra de uma música pirossérrima. Mais do que uma. No correio da escola do dia dos Namorados. Nunca o foi. Nunca poderia ter sido. Um amor, o primeiro, que me fez crescer enormemente como pessoa. Sentir uma imensidão de coisas. Sofrer como se fosse o único amor que iria ter na vida. Desarmar-me com um sorriso. Tudo aquilo que tomamos como muito verdadeiro quando somos adolescentes e nada sabemos da vida. Uma paixão que perdurou no tempo.
5 anos. Idas de comboio apenas para poder fazer aquele longo caminho sozinha com ele. Silêncios, olhares, nada mais. Uma traição, sem o ser, descoberta já depois de o amor se ter evaporado. "Eu gostei dele. Ele disse-me que tinha gostado de mim como nunca gostou de ti"... Uma facada da pessoa em quem eu pensava que podia confiar cegamente. Ela podia tê-lo tido, se quisesse, eu não - foi o resumo da conversa. Lágrimas que caíram. Final do secundário, a minha vida já tinha seguido um rumo completamente diferente.

Fotografia: Julianne Moore

quinta-feira, 17 de março de 2011

Quando um não quer, dois não dançam...


A verdade é esta e não vale a pena tentar arranjar desculpas. Também não vale a pena fazer de determinados assuntos cavalos de batalha, é dar murros em pontas de facas. Posto isto, e tendo perfeita consciência que também errei e erro muitas vezes, vou mais uma vez tentar esquecer que assunto x existe. E vou concentrar-me em mim. Dedicar-me mais à minha tese, à minha carreira.

Contudo, aprendi uma lição muito importante na minha vida. Se antes achava que a minha realização passava tão somente pela parte profissional e em tentar ser a melhor em tudo o que fazia, neste momento sei que preciso de muitas outras coisas para ser completa e feliz.
Foto: Jennifer Garner

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Betterman

Antes dele tive apenas um namoro de pouco tempo. Já aqui falei sobre esse assunto. Foi ele quem me fez gostar de Pearl Jam. A única coisa boa que recordo dele eram os gostos musicais. Depois dele, que fez de mim gato-sapato, pensei que não iria encontrar mais nenhum homem decente.
Sei através das redes sociais (nunca mais falámos) que teve uma filha. Mas penso que entretanto já não está com a mãe da menina. Só espero que consiga ser um betterman do que foi quando eu o conheci... Quanto a mim, eu fiquei muito bem entregue!

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Sweet sixteen

Daqui por um mês faço 27 anos...

Há 10 anos atrás vivia tempos completamente diferentes. Era uma pessoa totalmente diferente daquela que sou hoje. Estava no meu 12º ano e acabava de perceber que, de repente, tinha deixado de gostar da pessoa por quem tinha estado apaixonada anos a fio. O 12º ano foi um ano em que vivi muitas emoções, qual Álvaro de Campos.

Depois de perceber que aquele amor platónico tinha chegado ao fim, interessei-me por um rapaz que estava na turma a fazer cadeiras. Rapidamente começou a namorar com uma das criaturinhas mais irritantes da turma e tão rapidamente deixou de me interessar. Mas aquele mês em que durou a paixão foi muito importante para mim. Percebi que estar apaixonada era muito bom, que se devia aproveitar enquanto durava aquele estado de borboletas na barriga. Falava com ele na net. Foi ele quem me deu a conhecer a teardrop (que já era o meu nick, mas eu não conhecia a música). Foi ele quem me deu a conhecer os Muse, os Hooverphonic. Foi ele quem me fez cometer um pequeno delito, aproveitando-me do facto de ser delegada de turma. Como ele só ia a duas cadeiras fiquei com o cartão dele para entregar e fiz fotocópia para ficar com a foto (fotocópia a cores...). E sobre ele, bem... foi isto.

O 12º ano foi também o ano em que ser popular começou a ser importante. Começámos a dar-nos com pessoas bastante diferentes. Tinha os amigos dos graffitis, que os faziam com os nossos nicks.

E de Fevereiro a Abril vivi uma experiência que mudou a minha vida para sempre. Envolvi-me com uma pessoa só porque sim. Porque precisava disso para me afirmar a mim mesma. Porque estava farta de ser a menina certinha e das boas notas. A que ajudava toda a gente. A que não fumava nem cigarros nem ganzas apesar de estar sempre com eles. Aquela que chorou durante anos por um amor não correspondido e que se esfumou de um dia para o outro. E só porque sim, as coisas acabaram por correr bastante mal. Fui enganada e esse facto conseguiu arrasar todo o meu ser. Perdi amigos por causa disto. Arranjei muitas chatices. Refugiei-me no preto. Sempre, todos os dias. Escondi-me nas músicas que me faziam chorar. Achei que ninguém nunca ia amar-me de verdade.

Estava perto dos exames de acesso à faculdade e tudo isto fez com que, inconscientemente, acabasse por colocar em risco 12 anos de árduo trabalho. Foi por pouco que não deitei tudo a perder.

Olhando para trás sei que todas estas coisas foram muito importantes para a construção da pessoa que sou hoje. Para saborear a vitória temos que perder algumas vezes.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

First Love

O meu primeiro grande amor durou 5 anos. Desde o 7º ao 11º ano. Ainda hoje não consigo compreender como pude gostar daquela pessoa durante toda a transição infância-adolescência. Não me posso esquecer que por ter entrado na escola com 5 anos, era quase sempre 1 anos mais nova que a maioria dos meus colegas. Ele era alto, calado, cabelo escuro. Jogava muito bem futebol. Medianamente inteligente. Apesar de tímida nunca escondi a minha paixão por ele. Mas eu era demasiado certinha para ele querer alguma coisa comigo. E foi por isso mesmo que nunca chegámos a ser sequer amigos. Esse é um grande desgosto que tenho ainda hoje. O facto de ele saber que eu era apaixonada por ele não permitia que pudesse aproximar-se de mim. Acho que sempre fui um bocadinho adulta demais para a idade, o que me trouxe bastantes problemas.
Durante este tempo tive pelo menos dois rapazes interessados na minha singela pessoa. Em tempos separados, um na preparatória e o outro no secundário. Por causa de um amor não correspondido não consegui apaixonar-me por nenhum destes rapazes. Inteligentes e carinhosos. Cada uma na sua altura foram os meus melhores amigos. Ajudaram-me muito e sou eternamente grata por isso. Tanto que tiveram direito a uma fita de curso minha, coisa que não aconteceu com o outro.
Era a altura das grandes emoções. Era tudo exponencial. Ele tinha as raparigas que queria. E isso sempre me magoou profundamente. As minhas memórias dele são quase sempre sofridas, más. Sempre fiz tudo o que podia por ele. Por todos os meus colegas, aliás. E havia outra coisa que me atormentava... Ele era completamente diferente de mim. De que iriamos falar caso acontecesse alguma coisa? Silêncio... Não queria uma relação assim.
Estes cinco anos marcaram muito a minha vida. Achei que não ia conseguir deixar de gostar dele. Tive a certeza que nunca ia encontrar ninguém que me amasse. Eu não tinha direito a um príncipe.
Até que um dia aconteceu. Tinhamos explicação de matemática juntos à noite. Um dia, ainda me lembro do que tinha vestido, saimos mais cedo e a minha mãe ainda não estava à minha espera. A zona era escura e sombria. Pensei que ele me ia ficar a fazer companhia. Apesar de nem sequer termos assunto. Nunca percebi se lhe metia medo... Não sei porque se recusou sempre a ser meu amigo. E foi quando ele disse que tinha que ir para casa e eu fiquei ali sozinha no meio da rua. A chorar, por ele, mais uma vez. De raiva!
E depois deste momento percebi que, finalmente, me tinha conseguido livrar de tudo o que sentia por ele... Porque só tive migalhas, tão pequeninas! Como ter dançado com ele quase por obrigação numa aula número 100, os colegas todos insistiram para que ele dançasse comigo. E pela primeira e única vez ouvi o coração dele bater. E ainda me lembro da música e do perfume. E das cartas secretas do dia dos namorados que lhe enviei. E das muitas vezes que ele me fez chorar. E do dia em que me disse que tinha gostado da minha prima, que lhe tinha feito uma cassete com um remix das músicas dos Smashing Pumpkins que ela tanto adorava... Porque gostou dela como nunca gostou de mim.
E foi assim que cresci. Muito.
O resto da história fica para uma outra parte!