quinta-feira, 15 de março de 2007

TEMPO

Este blog teve início sensivelmente na mesma altura que o meu estágio. Já passaram quase seis meses, o que significa que o estágio está a terminar. Pelo meio fiz comunitária e hospital. Fiz novas amizades, conheci novas pessoas e aprendi muito, muito mesmo. Fiz coisas das quais tinha medo e não acreditei que pudesse ter coragem (picar dedos para fazer os testes na farmácia, por exemplo). Errei, mais vezes do que gostaria, mas com os erros aprendemos a ser melhores, a ter mais atenção e responsabilidade. Assim foi a entrada num mundo do qual estive protegida durante os cinco anos da faculdade.
Tive e tenho muitas saudades do tempo de estudo, as manhãs no autocarro, os amigos, as aulas, os tempos de exame em casa (manhãs para dormir e preguiçar, tardes para estudar… o meu cérebro só funcionava bem das 13h às 22h). Vou ter saudades também dos colegas de estágio, dos sítios por onde passei e fui bem recebido.
Ainda no ensino básico, estávamos um grupo de amigas num intervalo, o professor de Educação Visual disse-nos (lembrar-me disto é fantástico, mas lembrar-me do porquê já era abuso…): “Os tempos da faculdade são os melhores da nossa vida. Se puderem aproveitem-nos bem.” Na altura fez-me pouco sentido, os melhores momentos são quase sempre aqueles pelos quais estamos a passar… mas não esqueci estas palavras. Das pessoas que estavam nesse pequeno grupo, infelizmente, só eu tive a oportunidade de fazer um curso superior. Olhando para trás e avaliando todos os momentos da minha vida, muito provavelmente foram mesmo os melhores…


“Looking back at sunsets on the Eastside
We lost track of the time
Dreams aren´t what they used to be
Some things slide by so carelessly
Smile like you mean it”
(smile like you mean it - the killers)

sexta-feira, 9 de março de 2007

Afectos

Hospital de dia. É o sítio onde os doentes oncológicos fazem as administrações de quimioterapia. Esta manhã fui passar algum tempo neste serviço e foi uma experiência muito emotiva.

O cancro é uma doença cujo próprio nome é assustador, muitos não se atrevem a mencioná-lo, substituindo-o por uma variedade de “sinónimos”. Ao entrar num serviço destes podemos ser bastante surpreendidos. Os doentes têm um sorriso na cara. Sorriem sempre para nós, apesar de sabermos que provavelmente estão desconfortáveis com dores ou com os efeitos do tratamento. Os pais acompanham os filhos, os maridos as mulheres e vice-versa, raramente estão sozinhos. São pessoas de todas as idades, pessoas como nós, pessoas que poderiam ser da nossa família. Tratam-nos como se fossemos conhecidos e nota-se que a relação que mantém com a equipa do serviço é de enorme carinho. Hoje pareceu-me que esta doença (tal como muitas outras, mas esta em particular) desperta os afectos, une as pessoas, movidas pela esperança de cura ou por um final digno, com o máximo de bem-estar possível e o mínimo de sofrimento. Faz-nos pensar na nossa própria vida e nas vezes em que nos aborrecemos com acontecimentos tão insignificantes…

Com um nó na garganta retribui todos os sorrisos.