segunda-feira, 18 de dezembro de 2006

Desassossego

Para hoje reservei algumas frases do Livro do Desassossego, de Bernardo Soares.

“É humano querer o que nos é preciso, e é humano desejar o que não nos é preciso, mas é para nos desejável. O que é doença é desejar com igual intensidade o que é preciso e o que é desejável, e sofrer por não ser perfeito como se se sofresse por não ter pão. O mal romântico é este: é querer a Lua como se houvesse maneira de a obter.”

“Não se pode comer um bolo sem o perder.”

“Verifico que, tantas vezes alegre, tantas vezes contente, estou sempre triste.”

“A beleza de um corpo nu só o sentem as raças vestidas. O pudor vale sobretudo para a sensualidade com o obstáculo para a energia. (…) Não sente a liberdade quem nunca viveu constrangido.”

“Esta criança, que brinca diante de mim, é um amontoado intelectual de células – mais, é uma relojoaria de movimentos subatómicos, estranha conglomeração eléctrica de milhões de sistemas solares em miniatura mínima.”

“(…) e a alma é ser-se.”

“Vive a tua vida. Não sejas vivido por ela. Na verdade e no erro, no gozo e no mal-estar, sê o teu próprio ser.”

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

All good things

Ultimamente tenho ouvido esta música da Nelly Furtado muitas vezes, inclusivamente enquanto estou a trabalhar. Faz-me lembrar os meus amigos, portanto aqui fica, dedicada a todos aqueles que estiveram do meu lado nestes últimos anos...

Honestly what will become of me
don't like reality
It's way too clear to me
But really life is daily
We are what we don't see
Missed everything day dreaming

Flames to dust
Lovers to friends
Why do all good things come to an end?

Traveling I only stop at exits
Wondering if I'll stay
Young and restless
Living this way I stress less
I want to pull away when the dream dies
The pain sets in and I don't cry
I only feel gravity and I wonder why

domingo, 10 de dezembro de 2006

Abrunhosa

A cada minuto,
O tempo foge,
Quero dizer-te,
Que não demores.
(Uma loucura de Anjo)
Quando veio,
Mostrou-me a mãos vazias,
As mãos como os meus dias,
Tão leves e banais,
E pediu-me
Que lhe levasse o medo,
Eu disse-lhe um segredo:
“Não partas nunca mais”.
(Eu não sei quem te perdeu)

Heartagram

Acho quase uma afronta ainda não ter falado dos HIM no meu blog. Não que neste momento sejam o estilo de musica que mais goste mas porque foram muito importantes para mim.
Estávamos no início de 2001 quando vi, no extinto Sol Música, um jovem com um ar misterioso a cantar uma música cujo nome hoje me faz um pouco de confusão mas que na altura achei fantástico. Na verdade não era um verdadeiro videoclip mas antes a música cantada durante um concerto, onde o jovem fumava cigarro atrás de cigarro e onde lhe mandavam soutiens que ele pendurava no microfone (esquisito, não?). Lá fui comprar o cd, com a bela da capa cor-de-rosa. Era a época do mIRC e das disquetes, que ficavam rapidamente cheias com tantas fotografias, músicas e tralhas relacionadas com a banda. Foi uma grande loucura, tanto que, quando nesse Verão vieram a Portugal promover o concerto, no também antigo Curto-Circuito, lá fui eu assistir. Na altura foi mesmo um grande desvario porque era preciso telefonar para marcar inscrição, mas como havia um rapaz lá da escola que eu conhecia (muito pouco, diga-se), que era amigo do apresentador fiz-lhe a conversa de ir lá com ele. Assim foi, os dois rumo ao Restelo de autocarro, atravessámos um descampado e lá estávamos à porta do estúdio. Não sabia se me deixavam entrar ou não, por isso fiquei encostada à ombreira da porta. As pessoas que tinham entrada garantida estavam numa salinha perto da entrada, pelo que quando Valo e Migé chegaram, a única pessoa que os viu a escassos centímetros fui eu (que continuava especada à porta). O meu quase amigo foi embora e voltei para casa sozinha, apesar de não saber muito bem como regressar (depois de ter estado no estúdio a assistir à entrevista). Esta emocionante aventura custou-me apenas o meu livro de psicologia (que lhe emprestei nesse dia e ele nunca mais devolveu).

“If you want to save her, first you have to save yourself, if you want to see her smile again, don’t show her you are afraid”

Continuando, que ainda não acabou… Eu estava nesse Verão a candidatar-me à faculdade e já devia ter juízo. Eu queria ir ao concerto (acho que foi dia 9 ou 10 de Novembro) mas não queria ir sozinha com a minha irmã. Foi então que perguntei ao meu padrinho da faculdade se queria ir também. E foi com este passo que começou a história de amor que dura desde então.

X-MAS time...

Aproxima-se o Natal, época festiva e de alegria… Supostamente. Para mim os dias que vão desde 21 até 31 de Dezembro são sempre críticos. Explico porquê. O Inverno é a minha estação do ano preferida… Gosto mais da roupa quentinha, dos casacos, do frio, da sensação de uma manhã de chuva na cama debaixo de muitos cobertores. O Inverno começa a 21 e aí começa o estado azul da minha alma. Logo de seguida vem o meu aniversário no dia 23. Até certa altura é emocionante fazer anos, mas depois dos 17/18 começamos a ver a vida a andar depressa demais. A 24/25 vem o Natal, a família que nem sempre se reúne, a magia que se perdeu com o tempo, pelo menos até termos uma nova família com filhos e sobrinhos. Um pouco de sossego até 31, dia em que nos despedimos de outro ano e, invariavelmente, pensamos que podia ter sido melhor aproveitado. São muitas emoções para apenas 10 dias…

“Quando estiveres realmente triste, não chores, sorri. Chorar seria demasiado fácil.”

Farma kê?

Estes 2 meses e meio de estágio em farmácia comunitária fazem-me lançar um apelo… Por favor, alguém explique de uma vez por todas às pessoas que os profissionais que trabalham nas farmácias não são médicos nem enfermeiros! Não há um dia em que não nos confundam com outra qualquer profissão, simplesmente porque “farmacêutico” é um ofício que desconhecem de todo. Gostava apenas que fossemos reconhecidos por aquilo que somos, por aquilo que estudámos… Talvez a culpa seja um bocadinho nossa, não nos damos ao trabalho de explicar quem somos e o que sabemos.
Ontem um senhor dirigiu-se a mim no início do atendimento com uma frase muito desagradável – “Com tanto desemprego toda a gente vem trabalhar para a farmácia…”. É verdade que existe muito desemprego, brincar com isso por si só é um mau começo, mas andar a estudar 5 anos para ser abordada deste modo é extremamente desagradável. Lá fiz um sorriso forçado e expliquei que eu e a colega nova éramos farmacêuticas (algo dispensável porque bastava ter olhado para o cartão identificativo que trago suspenso no bolso da bata…).